Às vezes, me dá uma saudade danada de caminhar por dentro do mato,
e colher Dente-de-leão para soprar ao vento...
Saudade de tudo que planou no ar,
passou por mim (e eu nem percebi)
passou por mim (e eu nem percebi)
caiu na terra,
e que nem paraquedas
se deitou no chão do tempo,
se deitou no chão do tempo,
e ali ficou...
Saudade de abrir as janelas e
de deixar a esperança entrar.
Aquela mesma esperança, que outrora vinha pousar
em minhas mãos,
sempre trazida pela brisa que inocentemente
despenteava meus cabelos
naqueles fins de tarde,
e eu deixava que escapasse.
Saudades daquela leveza dos tempos de criança.
Saudades dos risos,
das brincadeiras.
Saudades da vida!
Saudades da vida!
Ai, que vontade, meu Deus,
de sair por ai caminhando sem destino,
sem meta,
sem planos,
sem perdas e danos,
e quem sabe assim, encontrar uma pétala de esperança
planando ao meu encontro!
Certeza de que, dessa vez, a guardaria dentro d'alma
e não mais a deixaria voar para longe...
Eugênia Morais

